Etiquetas de RFID: o que é e como aplicar na embalagem?

Tempo de leitura: 6 minutos

Há muitos anos a identificação de produtos é feita com o auxílio do código de barras. Ele é formado por barras verticais e paralelas, que são escaneadas por um leitor: com um feixe de luz lançado sobre a imagem, ele captura e interpreta os dados. Esse processo, porém, tem sido realizado por novas tecnologias, mais eficientes e versáteis.

É o caso da Identificação por Radiofrequência (Radio Frequency Identification — RFID). Esse é um termo genérico para as tecnologias que usam radiofrequência para trocar informações. Seu uso mais comum é em etiquetas inteligentes, que armazenam dados em um microchip para que sejam lidos por um receptor.

Basicamente, as etiquetas de RFID usam um transponder (“transmitter-responder”, para receber, amplificar e enviar o sinal) com os dados que devem ser transmitidos. Quando recebem o sinal do transceptor (que traduz o sinal recebido), as etiquetas o refletem ou enviam o seu próprio.

Quer saber mais sobre as etiquetas RFID e como elas podem beneficiar o seu negócio? Confira o post de hoje!

Histórico

Era 1935 quando o físico escocês Robert Alexander Watson-Watt inventou os radares. Algum tempo depois, já na Segunda Guerra Mundial, eles eram usados por tropas de diferentes países para que elas soubessem com antecedência quando aviões estivessem se aproximando.

Os alemães logo perceberam que, quando seus pilotos giravam o avião para retornar à base, isso modificava o sinal de rádio que era refletido para o radar. Esse método alertava os responsáveis pelo radar, que sabiam que aqueles eram aviões alemães (esse foi o primeiro sistema passivo de RFID).

Em seguida, a Inglaterra achou um jeito de desenvolver um identificador de amigo ou inimigo (IFF — Identify Friend or Foe) com um transmissor de radiofrequência. Esses dispositivos foram instalados nos aviões britânicos que, quando recebiam a informação da estação de radar, enviavam um sinal para se identificar como aliados.

Cerca de 40 anos depois, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), em conjunto com outros centros de pesquisa, passou a estudar a arquitetura de tecnologias baseadas em radiofrequência. O objetivo era desenvolver aplicações de rastreamento e localização de mercadorias.

Esse estudo resultou no Código Eletrônico de Produtos (Electronic Product Code — EPC), que foi usado para definir a arquitetura de identificação de itens pelos sinais de radiofrequência. Mais tarde, essa tecnologia ficou conhecida como RFID.

Vantagens

Uma vantagem clara da RFID é que não é necessário posicioná-la em um ângulo específico para que ela possa ser lida — como ocorre com os códigos de barras. Uma etiqueta é colada no item e envia informações sempre que recebe um sinal de rádio de um sensor de rastreio. Assim, a leitura é mais eficiente, precisa e rápida.

Além disso, essas etiquetas de RFID se comunicam com os diferentes sistemas da empresa — como gestão, relacionamento com clientes, vendas, suprimentos, logística e outros. Isso permite localizar os estoques, as mercadorias, as informações de preço, o prazo de validade, o lote e outros dados, tudo em tempo real.

As coisas boas não param por aí: como a RFID carrega muitas informações, seu uso ajuda a limitar roubos (esse foi um dos primeiros usos do sistema e continua sendo empregado até hoje), gerir inventários, reduzir desperdícios, simplificar a logística, diminuir as chances de falhas humanas e aumentar a produtividade.

Esses chips prometem revolucionar a logística de estoque, pois otimiza do rastreamento ao gerenciamento de todo o processo — benefícios que valem para empresas de todos os setores e portes.

Aplicações

A RFID permite capturar informações em produtos em movimento. Além disso, ambientes insalubres e alguns processos específicos impedem o uso de código de barras. Com as etiquetas inteligentes, o controle do fluxo de produtos — da fabricação ao ponto final de distribuição — ficou muito mais fácil.

Um de seus primeiros usos foi em sistemas antifurto. Neles, as ondas de rádio são usadas para determinar se um item foi pago ou não. Quando a mercadoria é paga, um bit específico da etiqueta é desligado para que os sensores não disparem o alarme na porta do estabelecimento. Se o bit ainda estiver ligado na saída, o alarme dispara.

Os sistemas operam em diferentes faixas de frequência. Os de baixa frequência (30 a 500 kHz) são para curta distância (controle de acesso, identificação e rastreabilidade de produtos, entre outros). Já os de alta frequência (850 a 950 MHz e 2,4 a 2,5 GHz) são para média e longa distâncias (até 30m) e alta velocidade.

Conheça, nos tópicos a seguir, outras situações em que o uso de RFID é bastante útil e ajuda a tornar o trabalho mais preciso e organizado.

Estoques controlados

O uso das etiquetas de RFID reduz os erros no estoque, pois faz a contagem instantânea (o que torna as informações dos sistemas de inventário mais precisas, tanto no armazenamento quanto na velocidade de expedição) e permite localizar os itens facilmente, bem como reabastecer os faltantes e eliminar os vencidos.

É possível ter, assim, o controle completo e preciso de tudo o que está em estoque. Isso evita erros e dispensa a necessidade de fazer balanços mensais demorados e manuais.

Recebimento de mercadorias

Produtos recebidos na matriz ou no centro de distribuição precisam ser conferidos antes de serem inseridos no estoque. Com o uso de RFID, as mercadorias são verificadas em minutos. Com isso, os itens podem ser vendidos ainda no mesmo dia.

Vendas mais ágeis

Quando uma venda é realizada em uma loja, os produtos devem ser corretamente conferidos para que sejam transferidos do estoque e a venda possa ser efetivada. Usando etiquetas de RFID, a tendência é que haja uma agilização significativa desse processo.

Além disso, com a etiqueta inteligente, o pagamento de mercadorias requer apenas que elas passem perto de um receptor. A antena, então, é capaz de identificar o que o consumidor está comprando e o sistema pode automaticamente atualizar o estoque e gerar o cupom fiscal.

Inventário

Para manter os estoques em pleno funcionamento, é preciso fazer inventários rotativos parciais. Com contagens manuais, porém, esse processo é, em geral, crítico e demorado. Quando se usa RFID, entretanto, a contagem das mercadorias é mais rápida e o nível de acerto é mais alto.

e-Commerce

Em uma operação de comércio eletrônico, o uso de RFID garante agilidade aos fluxos de entrada, separação, conferência, faturamento, embalagem, despacho e inventário das mercadorias. De quebra, isso garante mais precisão às operações de estoques.

Em resumo, a tecnologia RFID serve para empresas de todos os tamanhos e tem modelos para diferentes tipos de produtos e segmentos. Seu uso contribui para aumentar a eficiência operacional e, consequentemente, a margem de lucro da companhia.

A competitividade no mundo dos negócios e da tecnologia está cada vez mais intensa. Atualmente, o bem mais valioso é a informação e, por esse motivo, é apenas questão de tempo para que as etiquetas inteligentes estejam em todos os produtos.

Gostou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo contando suas experiências ou expondo suas dúvidas!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *